terça-feira, 19 de outubro de 2010

Chega voando


"Quando tuas mãos saem,amada,

para as minhas,o que me trazem voando?

Por que se detiveramem minha boca, súbitas,

e por que as reconheço como se outrora então

as tivesse tocado,como se antes de ser

houvessem percorrido minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava voando por sobre o tempo,

sobre o mar, sobre o fumo,e sobre a primavera,

e quando colocaste tuas mãos em meu peito,

reconheci essas asas de paloma dourada,

reconheci essa argila e a cor suave do trigo.

A minha vida toda eu andei procurando-as.

Subi muitas escadas,cruzei os recifes,

os trens me transportaram,as águas me trouxeram,

e na pele das uvas achei que te tocava.

De repente a madeirame trouxe o teu contacto,

a amêndoa me anunciava suavidades secretas,

até que as tuas mãos envolveram meu peito

e ali como duas asas repousaram da viagem"


Tuas mãos, Pablo Neruda

4 comentários:

  1. Nossa, que poema INCRÍVEL! Super delicado, cheio de imagens belíssimas... Amei!

    ResponderExcluir
  2. Realmente Pablo é muito singelo em seus poemas!

    ResponderExcluir