quinta-feira, 8 de julho de 2010

Coragem


"Minha coragem foi a de um sonâmbulo que simplesmente vai. Durante as horas de perdição tive a coragem de não compor nem organizar. E sobretudo de não prever. Até então eu não tivera a coragem de me deixar guiar pelo que não conheço e em direção ao que não conheço: minhas previsões condicionavam de antemão o que eu veria. Não eram as antevisões da visão: já tinham o tamanho de meus cuidados. Minhas previsões me fechavam para o mundo."

A paixão segundo G.H., Clarice Lispector

6 comentários:

  1. Imagine a Clarice tendo "coragem para não compor"!!! Logo ela que sobrevive do ofício... do vício... enfim... AMEI!!!!

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  2. Nossa, é mesmo... Mas ela tinha sempre a audácia de dizer que não era escritora, porque esse rótulo a faria pressionada a escrever... Ai Jesus, essa mulher é tudo!
    Post lindo, Gabi!

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  3. Clarice é mesmo demais! Única!

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  4. Gente, é uma consciência, é uma clareza (e ao mesmo tempo confusão) tão grande dos próprios sentimentos, que eu até invejo! Quem me dera se eu pudesse me analisar e me desentranhar dessa maneira!

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  5. Com esse blog estamos nos desentranhando, certamente!

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  6. Para mim é como se ela conseguisse descrever sentimentos tão nítidos no sentir e tão difíceis de se realizarem em palavras.... realmente o ofício do escritor é o materializar o que se passa no coração, no corpo, na alma....

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