sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Caminho

Caminho

Camilo Pessanha


Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

4 comentários:

  1. Acho esse poema muito musical e dramático (às vezes me chama a atenção o drama!)

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  2. que lindo, que lindo! vai direto pro meu caderninho!!

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