sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Tempestade silenciosa

Então entraram no quarto de José Arcadio Buendía, sacudiram-no com toda a força, gritaram-lhe ao ouvido, puseram um espelho diante das fossas nasais, mas não puderam despertá-lo. Pouco depois, quando o carpinteiro tomava as medidas para o ataúde, viram pela janela que estava caindo uma chuvinha de minúsculas flores amarelas. Caíram por toda a noite sobre o povoado, numa tempestade silenciosa, e cobriram os tetos e taparam as portas, e sufocaram os animais que dormiam ao relento. Tantas flores caíram do céu que as ruas amanheceram atapetadas por uma colcha compacta, e eles tiveram que abrir caminho com pás e ancinhos para que o enterro pudesse passar.


Trecho de Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

6 comentários:

  1. Nossa, Mel! Que lindo! *___* é tão cinematográfico!

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  2. é imagético, como diria nosso professor Hermenegildo, hehe :)

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  3. Candice Baldissera5 de julho de 2011 11:35

    Esse é o trecho mais bonito do livro.

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