quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Importuna razão


" Importuna Razão, não me persigas;

Cesse a ríspida voz que em vão murmura;

Se lei de Amor, se a força da ternura

Nem domas, nem contrastas, nem mitigas.


Se acusas os mortais, e os não obrigas,

Se (conhecendo o mal) não dás a cura,

Deixa-me apreciar minha loucura,

Importuna Razão, não me persigas.


É teu fim, teu projeto encher de pejo

Esta alma, frágil vítima daquela

Que, injusta e vária, noutros laços vejo.


Queres que fuja de Marília bela,

Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo

É carpir, delirar, morrer por ela."


Barbosa du Bocage



3 comentários:

  1. Adorei, Gabi! Não conheço esse autor!!!

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  2. "Deixa-me apreciar minha loucura"
    Me lembrei do André do Lavoura Arcaica: a impaciência também tem seus direitos!

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  3. Às vezes, a razão importuna mesmo.

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