sexta-feira, 25 de junho de 2010

Coração de ninguém.

Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.
.
Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.
(06/01/1923)
Fernando Pessoa

3 comentários:

  1. só me vêm as aulas de modernismo! auaiuahiauh

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  2. To adorando estudar Pessoa! Amei o poema, Mel! ^^

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  3. Esse post foi de monitora para alunas, heheh =P

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