sexta-feira, 9 de abril de 2010

Desalento...

Engraçado como não consigo largar este livro. Já tentei pegar outro livro pra começar a ler – e olha que tenho muita leitura atrasada – e não consigo deixá-la. Madame Bovary é um vício. Foi um vício para Charles, Rodolphe, Léon e, agora, pra mim. Porém, todos acabam deixando-a ou sendo deixados. E como é difícil desvincular-me. Ela me deu uma voz que não se cala, como se eu tivesse aprisionado meu poeta, meu ego, ou qualquer ser que seja este que me dá palavras para me expressar.

Continuo folheando, marcando em rosa frases marcantes de seu final. É nele que estou focada, basicamente. Estou embasbacada, deslumbrada com o rumo tomado por Emma. É tão surreal e tão lógico, que me perco.

Preciso dizer adeus, Emma, preciso ir-me, mas não consigo.

Eu indico...

Queridas literatas,Alinhar à esquerda

Agora, todas as sextas-feiras serão dia de "Eu indico..." - onde eu, carinhosamente, farei uma espécie de parada musical, com sete músicas e um tema. Hoje, já que estivemos falando de Madame Bovary, que é uma mulher marcante, escolhi sete vozes femininas contemporâneas que acho que todos deveriam poder conhecer. Algumas, claro já são conhecidas, mas a música é nova - e, já que não saem da minha playlist, quis "contaminá-las" com os refrões que não deixam minha cabeça. E claro, não poderia deixar de fazer meus comentários, para que vocês entendam o porquê das minhas indicações.

Ah, e não percam, sexta que vem teremos as sete canções que fizeram, por assim dizer, história.
Será um prazer receber indicações de vocês também, claro. Aliás, por que cada uma não diz quem (para vocês) é a dona de um vocal marcante e tem cantado nesse iniciozinho de década?

Bom, então vamos lá! Nossa, "sétima posição" vai para Katharine Mcphee. Ela foi uma das revelações do programa American Idol em 2006 - programa que, ao contrário do que ocorre no Brasil, realmente torna seus participantes famosos. Ela tem uma voz realmente incrível, forte e melodiosa. Meu destaque vai pra canção chamada It's not right, mas como não temos o vídeo, pensei em outra que também é muito bonita, chamada Had it all. Espero que gostem - é só clicar no nome da música que vocês serão direcionadas para a página do YouTube.



Nossa "sexta posição" vai para a jovem guitarrista Orianthi, que iria acompanhar Michael Jackson em sua última turnê, mas que deslanchou com seu álbum solo. Apesar da voz de menininha, seus talentos como musicista são realmente impressionantes. A música que escolhi chama-se According to you.


Em "quinto lugar", temos a filha da cantora e atriz Jane Birkin, Charlotte Gainsbourg. Charlotte também é atriz, mas tem se dedicado mais à sua carreira musical. Ela tem uma voz maravilhosa e diferente de tudo o que já ouvi. Suas melodias são da mesma maneira peculiares, mas têm recebido boas críticas. Com vocês, Heaven can wait.


Na "quarta posição", não é nem preciso fazer comentários sobre a voz dela. Joss Stone tem o Soul no sangue e um timbre singular. Cantando sempre de pés descalços, nessa apresentação do novo single Free me é possível perceber que sua música tem amadurecido bastante... vale a pena conferir a letra depois!


No nosso pódio, resolvi dar espaço a nossas cantoras brasileiras, que têm feito um trabalho maravilhoso, com melodias suaves e letras contagiantes. Em "terceiro lugar", com a medalha de bronze, temos a cantora de MPB Mariana Aydar, com seu single Palavras não falam. Essa não é nem de longe a melhor música dela, mas foi a única que encontrei com vídeo.


Já em "segundo lugar", escolhi a Roberta Sá, que tem uma presença, uma voz espetacular! Confiram ela cantando Samba de um minuto e depois me digam, vale ou não vale a segunda posição? Pra ela e pro nosso primeiro lugar, eu dispenso os comentários, prefiro que vocês mesmas comentem o que acharam.


E, levantando nossa taça de campeã do nosso primeiro "Eu indico...", a dona DA VOZ da música brasileira contemporânea, Maria Gadu, com a música Laranja.


Bom, essa primeira aparição do "Eu indico" não ficou exatamente como eu tinha planejado, mas como estamos apenas começando, espero fazer melhor na próxima sexta-feira. Mas espero que curtam minhas sugestões... Aumenta o som!



Clube


Bom gurias, amanha temos um encontro com Madame Bovary lá em casa!Espero todas para bater muito papo, comer muitos docinhos, bebidinhas, café e etc!Acho que todo mundo vai adorar!
Beijo e até amanha!

Fenda na parede


"Quanto a Ema, não se perguntava se o amava. O amor, no seu entender, devia surgir de repente, com ruídos e fulgurações, tempestade dos céus que cai sobre a vida e revolve, arranca as vontades como folhas e arrebata para o abismo o coração inteiro. Ela desconhecia que nos terraços das casas a chuva forma poças se as calhas estão entupidas, de forma que ficou de sobreaviso, até que um dia descobriu uma fenda na parede."

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sta viator...amabilem conjugem calcas¹

_________________________________________
¹Pare, viajante, debaixo de seus pés, jaz uma esposa amável.



Me deparei com as primeiras páginas deste livro, observando bem seu peso mediano em minhas mãos e me inquietava com uma pergunta incessante - o que fazia de Madame Bovary uma das mulheres mais memoráveis da literatura francesa, quiçá, mundial.

Confesso ainda que as linhas iniciais não me impressionaram muito, e só depois entendi que tudo era intensamente intencional. O tédio dos primeiros capítulos refletiam a alma insossa de Charles - homem insólito, o único a amar o ser ao invés do sentimento.

Mesmo com as minuciosas descrições, das quais não pude fixar muitas em minha mente, pude perceber a essência dos arredores de Rouen e de Younville, e também das personagens, tão complexas e verdadeiramente humanas como podem ser.

Emma é, ainda, um capítulo a parte. Ela me usurpou os olhos e passei a enxergar o universo como Madame Bovary, e perceber que em cada mulher moram vestígios de Emma. Mulher falha, impulsiva, intensa, entrega-se pelo amor ao amor. Entedia-se com seus casos, ama-os profundamente, um verdadeiro poço de lascívia, uma inconstância verossímil. Falar de Emma é complexo. Faltam palavras, expressões, sobram lacunas. Idéias. Sugestões.
Difícil precisar o comportamento de Emma, que parece desenvolver tantos traços enquanto tenta escrever a própria história...

Incrível como parece tentar amadurecer o amor, a felicidade, e buscá-la em diferentes meios. Uma mulher que, bem antes do século XX, flerta, seduz e age muitas vezes com temperamentos masculinos. Com a exceção de uma peculiaridade: em perigo, mostra-se frágil, deseja proteção e jura paixões como uma heroína romântica.

Tal qual a mocinha, Bovary enche os olhares dos homens, seduzidos por sua tez pálida e jovial, desperta toda a sorte de sentimentos - um morre de amores; outros, de culpa; outros, deixam as juras de paixão morrer. Emma cai em perdição pela luxúria, pela ambição e termina como uma santa mulher. Assim mesmo, santa mulher. Em sua lápide, enaltecem sua candura de esposa amável, mas as memórias que restam são reais - de alguém que mentiu, omitiu, traiu, negou, se entregou e viveu, como uma verdadeira mulher.

Sílvia de Érico


"Entardecer no Angico. Estou parada, sozinha, na frente da casa da estância, olhando para o poente. O sol parece uma grande laranja temporã, cujo sumo escorre pelas faces da tarde. O ar cheira a guaco queimado. Um silêncio de paina crepuscular envolve todas as coisas. A terra parece anestesiada. Raras estrelas começam a apontar no firmamento, mais adivinhadas do que propriamente visíveis. Sinto um langor de corpo e espírito. Decerto é a tardinha que mecontagia com sua doce febere. Tenho a impressão de estar suspensa no ar. E de que alguma coisa vai acontecer. Cerro os olhos e fico esperando o recado de Deus"

Érico Veríssimo, Do diário de Sílvia.

La Belle Du Jour!

La Scapigliata. Leonardo da Vinci, 1508.

"Nunca a Sra. Bovary fora tão bela quanto nessa época; ela tinha aquela beleza indefinível que resulta da alegria, do entusiasmo, do sucesso e que é apenas a harmonia do temperamento com as circunstâncias. (...) ela desabrochava, enfim, na plenitude de sua natureza." (Trecho de Madame Bovary, de Gustave Flaubert)

Livre!


"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome"

Perto do Coração Selvagem - Clarice

Um simples Pablo



"Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas
Nada contava nem tinha nome
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo
Caído, abandonado e decaído
Tudo era inalienavelmente alheio
Tudo era dos outros e de ninguém
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono"

Pablo Neruda

Neruda é sempre simples e fofo. Poesia que parece um abraço.



Bolinho, café e um livro


Aqui vai uma receitinha maravilhosa e super rápida, uma delicia que combinada com um cafezinho faz qualquer leitura ficar melhor ainda. Alias café ou vinho! : )É o bolo de caneca!Pegue a sua caneca preferida e Madame Bovary!

Bolo de Caneca
Ingredientes:

1 ovo
1 colher (sopa) de manteiga
2 colheres (sopa) de óleo
4 colheres (sopa) de leite
4 colheres (sopa) de açúcar
3 colheres (sopa) achocolatado
3 colheres (sopa) de farinha de trigo
½ colher (chá) de fermento em pó

Modo de preparo

1. Em uma tigela média, que vá ao microondas, coloque a manteiga. Leve ao microndas por 30 segundos, ou até a manteiga derreter.

2. Retire a tigela do microondas e junte o leite, o óleo e o ovo. Misture bem, com um batedor de arame ou com um garfo.

3. Junte o açúcar, o achocolatado, a farinha e o fermento. Misture vigorosamente, até que a massa fique homogênea.

4.Coloque a mistura na sua caneca preferida e leve ao microondas, na potência máxima, por 3 minutos.


Bom apetite e boa leitura!
Gabi