sábado, 18 de dezembro de 2010

Regra três


Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz,
Abusou da regra três
Onde menos vale mais.

Da primeira vez ela chorou,
Mas resolveu ficar...
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar.
Depois perdeu a esperança,
Porque o perdão também cansa de perdoar...

Tem sempre o dia em que a casa cai,
Pois vai curtir seu deserto, vai!
Mas deixe a lâmpada acesa,
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto,
Porque você pode estar certo que vai chorar...
Vinícius e Toquinho

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

VII Encontro do Clube do Libro – A Alma Imoral

Drink no dancing

A história de Lily Braun

Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou
Me ofereceu um drink
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues

Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris

E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê

Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drink no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz


(Chico Buarque e Edu Lobo)

Ouçam aqui na voz dos compositores e aqui na voz de Gal Costa.

Abre teu coração

A bela e a fera

Ouve a declaração, oh bela
De um sonhador titã
Um que dá nó em paralela
E almoça rolimã
O homem mais forte do planeta
Tórax de Superman
Tórax de Superman
E coração de poeta

Não brilharia a estrela, oh bela
Sem noite por detrás
Tua beleza de gazela
Sob o meu corpo é mais
Uma centelha num graveto
Queima canaviais
Queima canaviais
Quase que eu fiz um soneto

Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto

Oh bela, gera a primavera
Aciona o teu condão
Oh bela, faz da besta fera
Um príncipe cristão
Recebe o teu poeta, oh bela
Abre teu coração
Abre teu coração
Ou eu arrombo a janela

(Chico Buarque e Edu Lobo)

Ouçam
aqui.

Contemplo o lago mudo

Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?
Fernado Pessoa

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Clube das Literatas no Correio Braziliense!

Na manhã de hoje, tivemos nossa segunda matéria publicada, dessa vez num dos principais veículos de comunicação, o jornal Correio Braziliense. A primeira matéria a respeito do nosso clube foi publicada na revista Vinte e Um, também maravilhosa, que pode ser lida aqui, na página 40. Ambas são motivos de muita felicidade para o grupo, e é por isso mesmo que resolvemos compartilhar com vocês, leitores do nosso blog. Espero que gostem da matéria que a jornalista Gabriela de Almeida preparou com tanto carinho! E aproveito, ainda, para dizer às demais literatas que é um imenso prazer poder fazer parte de algo tão lindo como nosso clube. Que ele seja duradoro e próspero! E vamos à leitura!!

 

Livros de papel e os clubes de leitura continuam em alta no Brasil
Gabriela de Almeida 
Publicação: 15/12/2010 07:19 
Quando Gabriela Gonçalves leu Madame Bovary, de Gustave Flaubert, pela primeira vez, o impacto foi tão grande que sua vontade era de entregar um exemplar para cada pessoa que visse pela frente. “Quis compartilhar a experiência, queria que várias pessoas sentissem o que senti”, afirma. A aluna de letras da Universidade de Brasília (UnB) é uma amante dos livros. Com 25 anos, a paixão foi compartilhada com a criação, em abril, do Clube das Literatas, uma reunião das amigas Luiza Vieira, Juliana Freitas, Vanessa Vieira, Daniela Inocêncio, Luzia Pires, Aquíria Francielli e Melina Alves em torno de clássicos da literatura mundial. A cada mês o grupo elege uma anfitriã para receber o encontro e escolher o próximo livro que será lido. Luzia Pires, 21, foi escolhida anfitriã para a reunião de discussão do livro A mãe, de Maksim Gorki. A escolha, segundo a estudante, foi uma sugestão do pai.

O grupo é a prova de que velhos hábitos nunca mudam. Com a média de idade de 21 anos, as meninas do Clube das Literatas não abrem mão do bom e velho livro de papel e estão à frente de grande parte da população brasileira na mesma faixa etária, no que diz respeito ao número de livros que leem por mês, uma média de quatro. “Nosso intuito com o clube é unicamente literário. Não pretendemos estudar as obras, por que isso já fazemos na universidade, mas sim trocar a experiência que o livro escolhido provocou em cada uma de nós”, explica Gabriela.

Dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro concluem que a cada quatro brasileiros, um não faz a menor ideia do papel da leitura na formação intelectual do cidadão, e apenas três acreditam que esse hábito tem um significado positivo. Em contrapartida, recentemente uma nova pesquisa mostrou que o índice de leitura dos brasileiros aumentou 150% na última década. O número passou de 1,8 livro por ano, em média, para 4,7.

Boa parte do aumento do hábito de leitura deve-se a aquisição de leitores eletrônicos, como o iPad, o Sony Reader e o Kindle. Em um estudo com 1,2 mil donos de leitores eletrônicos nos Estados Unidos realizado pela Marketing and Research Resources, 40% disseram que passaram a ler mais livros após à aquisição do aparelho e 55% dos entrevistados acharam que vão usar o aparelho para ler ainda mais livros futuramente. Só nos EUA, as vendas desses equipamentos cresceram quase 200% no primeiro semestre. Por enquanto, os aparelhos de leitura ainda são um artigo de luxo e não pertencem à realidade de grande parcela da população brasileira, mas o acesso digital a um grande número de obras da literatura está cada vez mais próximo principalmente para a formação de novos leitores.

Iniciativas

Dona de um dos talk shows mais vistos da televisão norte-americana, Oprah Winfrey é uma defensora da leitura. A apresentadora possui um clube do livro onde a cada mês sugere uma nova obra para o público. Oprah utiliza o espaço para sugerir um livro e avalia a leitura de acordo com as próprias impressões. O sucesso é tão grande que muitos livros se tornaram best-sellers pela divulgação de Oprah e o seu programa é visto em mais de 100 países. Um exemplo é o romance Freedom, de Johatran Franzen, sugerido por Oprah e que ocupou o topo da lista do jornal The New York Times.

No Brasil, a dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano (zezedicamargoeluciano.uol.com.br)criou uma corrente de leitura em parceria com os seguidores do Twitter. A cada 60 dias a dupla sorteia 50 pessoas que se cadastram no site e recebem o livro em casa. Na última corrente os livros mais votados pelo público foram Comer rezar amar (Elizabeth Gilbert), O menino do pijama listrado (John Boyne), A cabana (William Young), Querido John (Nicholas Sparks) e A última música (Nicholas Sparks).

CURIOSIDADES ELETRÔNICAS

» Em eventos literários já foram registrados alguns pedidos de autógrafos aos escritores nos aparelhos eletrônicos de leitura. O escritor David Sedaris disse que enquanto lançava o livro When you are engulfed in flames, em uma livraria de Manhattan, Nova York, um leitor apresentou seu Kindle para um autógrafo. O escritor revelou que já assinou pelo menos cinco Kindles e um bom número de iPads.


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Média de livros lidos por mês pelo Clube das Literatas

OS FAVORITOS DO ANO PELO CLUBE


» Madame Bovary, de Gustave Flaubert

» Lavoura arcaica, de Raduan Nassar

» Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos

» Um sopro de vida, de Clarice Lispector

» Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

» A mãe, de Maksim Gorki

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Amores serão sempre amáveis

Futuros Amantes

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

(Chico Buarque)


Ouçam aqui!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Maduro


"Meu coração não quer

Nada no futuro

Ele só quer pra já

Já que está maduro


No que o momento dá

Meu coração pega

No que você mandar

Meu coração navega


Vai chegar antes

Melhor que antes

junto

Vai chegar junto"


Meu coração, Gilberto Gil

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Mil

ELA FAZ CINEMA

Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual

Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim
E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz

Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração
e quando o meu coração
Se inflama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim.

Chico Buarque

Ouçam aqui